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Ficino |
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A concepção da alma como “copula mundi"Disponhamos mais uma vez a realidade de todas as coisas em cinco graus.
Coloquemos Deus e o Anjo na sumidade da natureza, o corpo e a qualidade no grau
mais baixo, mas a alma no meio, entre as coisas altíssimas e as ínfimas, a
alma que com razão chamamos, de modo platônico, terceira ou média
essência, pois ela está no meio em relação a todas as coisas e é
terceira a partir de qualquer coisa que comecemos.
Dizem com razão os Platônicos que, acima daquilo que flui limitado pelo
tempo está aquilo que subsiste por todo o tempo, que ainda acima está aquilo
que subsiste pela eternidade e que, por fim, acima do tempo está o eterno. Mas,
entre as coisas que são apenas eternas e as outras que fluem apenas no tempo,
temos a alma, que é uma espécie de ligação entre as duas esferas.
Toda obra que consta de uma multiplicidade, é, então, perfeita, quando
está assim ligada em seus membros, que devem ser recolhidos de toda parte em
unidade, para ser consistente e conforme a si, de modo a não se dissipar
facilmente [...]. Com maior razão devemos colocar a conexão das partes do
universo, que é obra de Deus, de modo que ele também resulte a única obra do
único Deus. Deus e o corpo são por natureza as partes extremas e uma diversíssima
da outra. O Anjo não consegue reuni-las, pois está inteiramente voltado para
Deus e esquece o corpo [...].
Nem a qualidade reúne os extremos, pois ela se inclina para o corpo e
abandona as coisas superiores; deixando as coisas incorpóreas, ela própria se
torna corpórea. Até este ponto as coisas são como extremos, e reciprocamente
se excluem as coisas superiores e as inferiores, faltando uma ligação dos
opostos.
Todavia, uma vez posta no meio a terceira essência, ela é tal que,
enquanto se reúne com as coisas superiores, não deixa as inferiores, de modo
que nela estas e aquelas se encontram reunidas. [A alma], com efeito, é imóvel
e móvel. Daquela parte ela se liga com a realidade superior, desta com a
inferior. Ligando-se com ambas, deseja uma e outra. Por isso, [a alma], por
certo instinto natural, ascende para coisas superiores e desce para as
inferiores. E, enquanto ascende, não abandona as coisas mais baixas, e,
enquanto desce, jamais deixa o divino. Theologia Platonica |